O lugar da mulher na política

Compreensões de uma mulher organizada que se inspira na política de Alexandra Kollontai

A vida toda homens sempre ocuparam as cadeiras do parlamentarismo, tomaram as decisões de dentro dos gabinetes e escritórios partidários e sentaram-se confortavelmente nos mais altos graus hierárquicos dentro das organizações políticas. Às mulheres sempre coube a posição de subalternidade e de viver sob o jugo de somente “ajudar” e “cuidar” e, quando ela se dispõe a fazer algo, dá a sua opinião, levanta sua voz, se coloca automaticamente vulnerável e passível de ser completamente rechaçada ou ignorada, e/ou muitas vezes não recebe qualquer apoio, inclusive de outras mulheres. E, quando o faz, precisa estar preparada para sustentar essa posição buscando alçar para além dela. Sempre tentamos ter cuidado ao falar, mas muitos homens não têm esse cuidado ao se dirigirem a nós, a não ser entre eles, colocando em prática os devaneios da concepção de broderagem e mostrando que o machismo estrutural continua enraizado profundamente aos nossos pés. Por isso, ao longo da história, as mulheres tiveram que ir se tornando cada vez mais combativas, se impor não é fácil e a gente muitas vezes sente que precisa ter absoluta certeza antes de expor nossos pensamentos em voz alta. Muitas mulheres que parecem ter superado isso, precisaram e precisam continuar gritando muito para serem ouvidas. A gente já conta com alguns avanços dentro do cenário político de agenda minimamente progressista, mas ainda não há paridade de gênero, mesmo no nosso campo e as disputas internas continuam em qualquer lugar. Estamos claramente muito distantes de competir neste espaço que vai além da busca pela equidade de gênero se nosso objetivo for a emancipação humana e a libertação total da mulher — sem esperar chegar o momento chave dessa mudança radical concreta — e não buscar apenas reformismos que de fato não mudam e não mudarão na totalidade as contradições da reprodução da vida. Por isso, gosto muito quando Alexandra Kollontai diz:

“Quando fui nomeada enviada russa a Oslo, percebi que tinha alcançado uma vitória não só para mim, mas para as mulheres em geral e, de fato, uma vitória sobre seu pior inimigo, isto é, sobre a moralidade convencional e conservadores conceitos de casamento… O que é de um significado totalmente especial aqui é que uma mulher, como eu, que acertou contas com o duplo padrão e que nunca escondeu, foi aceita em uma casta que até hoje defende firmemente a tradição e a pseudo-moralidade. Assim, o exemplo da minha vida pode servir para dissipar o velho duende do duplo padrão também da vida de outras mulheres. E este é um ponto crucial da minha própria existência, que tem um certo valor sócio-psicológico e contribui para a luta de libertação das mulheres trabalhadoras”.

Retrocedemos em vez de avançarmos, mas isso precisa e vai ser mudado quando mais mulheres, e não só mulheres, mas todas, todes e todos aqueles que nunca tiveram espaço e têm que estudar e se provar duas vezes mais do que os que já dominam as esferas políticas, seja nos gabinetes ou nas lutas de base da classe trabalhadora, irem cravando e ocupando seus lugares.

Aqui, um discurso poderoso dessa camarada inspiradora:

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comunicadora social, militante das liberdades emancipadoras, com muitas ideias apaixonadas para mudar o mundo e a si mesma. aqui vc encontra crônicas e emoções.

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Angélica Yassue

Angélica Yassue

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